Homologação de Decisão Estrangeira: o que é, para que serve e como funciona no Brasil

Introdução

Com o aumento de casamentos internacionais, contratos firmados no exterior e processos judiciais entre pessoas de países diferentes, tornou-se comum a necessidade de reconhecer decisões judiciais estrangeiras no Brasil. É nesse contexto que surge a homologação de decisão estrangeira.

Neste artigo, você vai entender o que é a homologação, quando ela é necessária, quem pode solicitá-la, como funciona o procedimento no Brasil e quais são os principais cuidados — tudo explicado de forma simples e acessível.

O que é homologação de decisão estrangeira?

A homologação de decisão estrangeira é o procedimento pelo qual o Estado brasileiro reconhece a validade de uma decisão judicial proferida por um tribunal de outro país, permitindo que ela produza efeitos legais no Brasil.

Sem a homologação, a decisão estrangeira não tem valor jurídico no território brasileiro, mesmo que seja válida no país de origem.

Exemplo prático

• Um divórcio decretado na França

• Uma sentença de alimentos fixada nos Estados Unidos

• Uma decisão de guarda proferida em Portugal

➡️ Todas essas decisões precisam ser homologadas no Brasil para que possam ser executadas ou reconhecidas aqui.

Quem é responsável pela homologação no Brasil?

Desde a Emenda Constitucional nº 45/2004, a competência para homologar decisões estrangeiras é do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

📌 Importante:

O STJ não reanalisa o mérito da decisão, ou seja, ele não discute se a sentença é justa ou correta. Ele verifica apenas se os requisitos legais foram cumpridos.

Quando a homologação é obrigatória?

A homologação é necessária sempre que se deseja que uma decisão estrangeira produza efeitos jurídicos no Brasil, como:

• Alterar estado civil (divórcio, anulação de casamento)

• Executar pensão alimentícia

• Reconhecer guarda ou adoção

• Cobrar valores definidos por sentença estrangeira

• Validar decisões empresariais ou contratuais

Exceção importante

⚠️ Divórcio consensual simples (sem filhos menores e sem partilha de bens) pode ser registrado diretamente em cartório, sem necessidade de homologação judicial, conforme entendimento atual do STJ.

Quais são os requisitos para a homologação?

Para que uma decisão estrangeira seja homologada no Brasil, ela deve atender a alguns requisitos legais básicos, previstos na legislação brasileira e no Regimento Interno do STJ:

Principais requisitos

✔️ Ter sido proferida por autoridade competente no país de origem

✔️ Ter trânsito em julgado (decisão definitiva)

✔️ Ter sido garantido o direito de defesa das partes

✔️ Estar devidamente legalizada ou apostilada (Convenção da Apostila de Haia)

✔️ Estar traduzida por tradutor juramentado no Brasil

✔️ Não violar a ordem pública, a soberania nacional ou os bons costumes

Como funciona o procedimento de homologação?

O procedimento ocorre da seguinte forma:

1. Contratação de advogado no Brasil (obrigatório)

2. Reunião dos documentos necessários

3. Protocolo do pedido de homologação no STJ

4. Manifestação do Ministério Público Federal

5. Decisão do STJ

⏳ O prazo pode variar, mas normalmente o procedimento leva alguns meses, dependendo da complexidade do caso e da existência ou não de contestação.

É possível contestar uma homologação?

Sim. A parte contrária pode apresentar impugnação, mas apenas com base em vícios formais, como:

• Falta de citação válida

• Violação à ordem pública

• Ausência de trânsito em julgado

🚫 Não é permitido discutir novamente o conteúdo da decisão estrangeira.

Quanto custa a homologação de decisão estrangeira?

Os custos envolvem:

• Honorários advocatícios

• Tradução juramentada

• Custas processuais do STJ

• Legalização ou apostilamento de documentos

O valor total depende do país de origem da decisão e da complexidade do processo.

Por que contar com um advogado especializado?

A homologação envolve direito internacional, normas processuais específicas e exigências formais rigorosas. Um erro documental pode atrasar ou até inviabilizar o pedido.

👨‍⚖️ Um advogado especializado garante:

• Análise correta da decisão estrangeira

• Organização adequada dos documentos

• Maior rapidez no procedimento

• Segurança jurídica

Conclusão

A homologação de decisão estrangeira é essencial para garantir que sentenças proferidas fora do Brasil tenham validade e eficácia em território nacional. Embora o procedimento seja técnico, ele é perfeitamente viável quando realizado de forma adequada e com orientação jurídica especializada.

Se você possui uma decisão judicial estrangeira e precisa que ela produza efeitos no Brasil, buscar orientação jurídica é o primeiro e mais importante passo.

Precisa de orientação jurídica internacional?
Cada caso exige análise cuidadosa. Uma orientação correta desde o início evita perdas, erros, atrasos e insegurança!